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Aldir 70

‘Não é fácil fazer algo pra quem você admira’

As capas da coleção Aldir 70 são ilustradas pelo cartunista Allan Sieber. Quando convidamos o Allan, apresentamos como referência as capas desenhadas por Mariano para a extinta Codecri, editora do Pasquim, que publicou “Rua dos Artistas e arredores” e “Porta de tinturaria”.

“Na verdade, apesar da referência, eu tentava fugir o máximo possível das capas da primeira edição, para não parecer uma releitura”, conta o ilustrador. “Me guiava pelas coordenadas dos editores e pelos textos dos livros, mas sempre evitando dar uma referência de algum personagem. Acho importante o leitor ter a liberdade de inventar, de imaginar por conta própria seu personagem”, diz Allan sobre o processo criativo.

Uma das dificuldades apontadas é que, segundo ele, não é simples fazer um trabalho para quem você tem admiração: “Eu sentia uma certa trava, justamente porque eu gosto muito do Aldir. Uma certa responsa em fazer as capas dos livros dele, de quem eu gosto muito, isso traz dificuldade”.

Sobre sua relação com Aldir, Allan conta que o conheceu pessoalmente no início dos anos 2000 quando estava produzindo, junto com o chargista Leonardo Rodrigues, o curta de animação Santa de Casa, que é baseado na crônica Santa milagrosa do compositor e cronista. A crônica é uma das que integram o livro de inéditos Direto do balcão. Para a trilha sonora do curta Aldir ainda compôs um samba inédito.

Na pré-venda da coleção Aldir 70, disponibilizamos inicialmente duas capas desenhadas por Allan – peças únicas, não reprodução. Mas com o sucesso da recompensa, voltamos ao ateliê do cartunista para saber se ainda havia algum original que ele pudesse disponibilizar para a campanha. De lá voltamos com algumas preciosidades.

Ainda é possível adquirir a ilustração que ele fez para “Porta de tinturaria”, esta:

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E além disso, criamos uma nova faixa de recompensa, para os desenhos que serviram de base para “Rua dos Artistas e arredores” e “O gabinete do doutor Blanc”. Há também a primeira ilustração feita para o “Porta de tinturaria”, que não foi aprovada pelos editores, mas é igualmente preciosa.

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Ilustração não aprovada para “Porta de tinturaria”
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Parte da ilustração de “O gabinete do doutor Blanc”
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Parte da ilustração de “Rua dos Artistas e arredores”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Pré-venda da coleção Aldir 70 está disponível no Catarse

Aos fãs de Aldir Blanc: a pré-venda da coleção Aldir 70, com cinco livros do autor, já está no ar no Catarse.

Aldir Blanc é um dos mais importantes compositores da música brasileira. É também médico psiquiatra e cronista, reconhecido pelas bem-humoradas histórias e personagens da zona norte do Rio de Janeiro.

Em 2016, Aldir completou 70 anos e a Mórula, editora carioca e independente, lançou a coleção Aldir 70 para comemorar a data. Os dois primeiros volumes da coleção – O gabinete do doutor Blanc Rua dos Artistas e arredores – foram lançados em 2016. Agora, contamos com a sua ajuda para completar a série com os três livros que faltam – Porta de Tinturaria, Vila Isabel, inventário da infância e Direto do Balcão. E isso, antes que o Aldir complete 71 anos.

 

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Mórula lança coleção com livros de Aldir Blanc

No ano em que Aldir Blanc, um dos principais letristas da música brasileira, completa 70 anos, a Mórula presta sua homenagem levando ao público um apanhado de sua obra em prosa. A coleção Aldir 70 reúne novas edições de livros já clássicos do escritor e duas obras inéditas.

Uma nova edição de “Rua dos Artistas e arredores” (lançado em 1978 pela Codecri) e o inédito “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” abrem a coleção. Completam a série uma nova edição de “Porta de Tinturaria” (Codecri, 1981), uma edição ampliada de “Vila Isabel, inventário da infância” (Relume Dumará, 2000) e um livro com textos publicados em jornais e revistas nos últimos 10 anos.

 

 

 

Capa da edição da Codecri do livro "Rua dos Artistas e arredores"
Capa da edição da Codecri do livro “Rua dos Artistas e arredores”

 

Estudo de capa para o livro "O gabinete do Doutor Blanc"
Estudo de capa para o livro “O gabinete do Doutor Blanc”

“Rua do Artistas e arredores” reúne textos publicados no semanário O Pasquim a partir da primeira contribuição de Aldir, no Natal de 1975, com a crônica Fimose de Natal. Selecionados e organizados pelo próprio autor, contam histórias de personagens que habitaram sua Vila Isabel, precisamente a Rua dos Artistas, onde viveu até os 11 anos. A nova edição conta com quarta capa escrita por Jaguar e uma cronologia detalhada da vida do autor.

Já “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” traz textos inéditos em livro e revela um lado menos conhecido do autor: sua paixão por jazz e livros policiais. Retratados em crônicas (ou “improvisos”), foram publicados originalmente na extinta revista virtual Notícia e Opinião, o No Ponto.  Editor de cultura da revista à época, Paulo Roberto Pires abre o livro com um ensaio sobre a produção dos textos que recebia e levanta a dúvida: “mas, afinal, o que publicávamos semanalmente? Resenha certamente não era. Crônica? Um pouco, às vezes. Muito sofisticados para serem rotulados ‘conversas’, demasiado informais para ganharem a etiqueta de ‘ensaios’, esses textos são mesmo improvisos”. Luis Fernando Verissimo assina a quarta capa do livro e resume a relação do escritor com o gênero musical: “Aldir não é apenas um ouvinte de jazz. É um erudito na matéria, embora disfarce sua erudição com a leveza e a criatividade que se espera de qualquer texto seu, musicado ou não”.

Para deixar a edição ainda mais caprichada, as capas são ilustradas por Allan Sieber. Sobre essa empreitada e o autor, é sintético: “Aldir Blanc é um gênio recluso. Eu sou um idiota recluso. Nos encontramos na reclusão. Uma honra fazer uma capa para um mito”.

O lançamento da coleção Aldir 70 será no dia 19 de novembro, às 14h30, no Al-Fárábi (Rua do Rosário, 30), Rio de Janeiro. A pré-venda, no site da Mórula, dos dois primeiros volumes da coleção começa amanhã, dia 10 de novembro.

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O tesouro de Aldir Blanc

Para celebrar o lançamento da coleção Aldir 70, o jornalista e escritor Luis Pimentel nos presenteou com essa crônica inédita sobre Aldir Blanc. Aproveitem!

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Aldir e o tesouro escondido na caverna da infância

Luis Pimentel

Eu vou pro Estácio, mermão! Pensa que é fácil? Né não.
No tempo do lotação já era ruim, hoje então…

O samba foi gravado em 1996, no disco que comemorava os 50 anos do compositor. Quase meio século antes dessa data, ainda no tempo do lotação, o futuro grande cronista das ruas e dos bairros do Rio de Janeiro e poeta consagrado da MPB saboreava a inocência no bom e velho Estácio de Sá. Viveu até os quatro ou cinco anos na Rua Santos Rodrigues, uma transversal (do tempo?) da lendária Maia de Lacerda – onde nasceu, se criou e até hoje (2010) vive o não menos lendário Alceu, que é seu pai e também o Ceceu Rico de suas crônicas. Entre o Estácio, Vila Isabel, a Tijuca e a Muda correm, sempre margeando o Rio Maracanã, as veias de Aldir Blanc.

Há quem não se importe, mas a Zona Norte
É feito cigana, lendo a minha sorte.

Chegando aos cinco ou seis anos de idade, Aldir chegava também à Vila, de mãos dadas com a mãe, Dona Arlete, e com a mãe da mãe, Vovó Noêmia. À frente, indefectível maço de Lincoln num bolso e programa onde lia a sorte dos cavalinhos de corrida, o intrépido Seu Alceu. Tempos depois, o filho tentou esclarecer algumas datas e fatos daqueles dias, para um inventário de infância que escreveu em homenagem ao bairro do Noel Rosa, ouviu do pai a seguinte resposta:

– Como é que, a essa altura do campeonato, você quer que eu me lembre de uma merda dessas?!

Eu vim da Maia Lacerda
E essa merda faz parte de mim.
Taí minha herança, e dela não abro mão…

No bairro poético e boêmio, o menino foi morar na Rua dos Artistas, estava em casa. E numa casa com quintal cheio de árvores frutíferas – pertinho da morada do mestre Benedito Lacerda:

– Da minha casa, eu ouvia a flauta tocada na casa dele – contou, em depoimento ao jornalista Roberto M. Moura, um dos amigos mais queridos e perdidos, como Paulo Emílio Costa Leite, Marco Aurélio Bagra e mais alguns.

O quintal servia para reunir amigos e parentes em torno das panelas e dos pratos, do radinho de pilha contando o jogo do Vasco, então Expresso da Vitória (“Sabará na ponta direita do templo…”), das garrafas, muitas garrafas.

A poesia já morava ali, à sombra das goiabeiras, laranjeiras, bananeiras, mangueiras, dos pés de abiu, sapoti, limões-bravos; a boemia só veio em seguida.

Vim do botequim,
Chamaram por mim
Na manhã…

A infância na Vila, que o poeta descreve como uma febre (“Vila Isabel é a febre de viver, que não passará enquanto eu respirar”) – pelo menos até os 13 ou 14 anos, quando voltou a morar no Estácio – desvenda o tesouro da caverna na obra do compositor. Tá quase tudo lá, vem quase tudo de lá, e nada se perdeu ou foi desperdiçado: o “asmático rondando pelo corredor”, as hemoptises, os palavrões, as brigas e confraternizações em família, o amor desgovernado pedindo cama na rua, os feudos, as frases de efeito, as farsas e o futebol, os funcionários de plantão e os desempregados por opção, dentes estragados, os butecos com as declarações mais sublimes ou os desabafos mais escrotos:

Piada suja, bofetão na cara,
E essa vontade de soltar um barro.

Pensa que Aldir Blanc viveu só de brisa, melodia e poesia? Nada disto. Teve estudo, tudo certinho. Primário na Escola Municipal Barão Homem de Mello, ginásio no tradicionalíssimo Colégio São José, curso superior na Faculdade de Medicina e Cirurgia, com estágio no Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro – como médico, claro. De poeta e de louco, ele tem muito mais do primeiro.

A porcelana e o alabastro na pele que eu vou beijar
O escuro arás do astro na boca que me afogar
Os veios que há no mármore nos seios de Conceição
E desafeto mais paixão e porque sim e porque não.

Tirem suas conclusões.

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