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Mórula

Leia mulheres

Perguntamos à enorme equipe que trabalha na mórula (4 pessoas) as autoras lidas nos últimos dois anos. A partir disso fizemos uma lista com as recomendações. Não são os melhores livros, nem os mais importantes ou representativos. Esta é apenas uma lista de 10 livros que 4 pessoas bem diferentes, mas que adoram literatura, leram nos últimos meses e gostaram.

Nossa ideia aqui é ser diverso. Porque há livros de mulheres sobre tudo. Mulheres escrevem poemas, biografias, ensaios, romances, não-ficção, contos, livros-reportagem, quadrinhos…  Mulheres escrevem best-sellers e independentes. O que as mulheres não conseguem é publicar em pé de igualdade com os homens.

Se 72% dos livros publicados no Brasil são de homens brancos, imaginamos que hoje, dia 8 de março, um bom presente é se perguntar: “quantos livros escritos por mulheres você leu no último ano”? Aproveita o dia para tirar uma autora da estante!

#NãoDêFlores #LeiaMulheres

 

Tudo ou nada, de Malu Gaspar (Record)

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Flores azuis, de Carol Saavedra (Companhia das Letras)

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Histórias de leves enganos e parecenças, de Conceição Evaristo (Malê)

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O vento que arrasa, de Selva Amada (Cosac Naify)

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A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras)

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Uma autobiografia, de RIta Lee (Globo)

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A amiga genial, de Elena Ferrante (Biblioteca Azul)

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Poemas, de Wislawa Szymborska (Companhia das Letras)

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Entre umas e outras, Julia Wertz (Nemo)

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Só as mulheres sangram, de Lia Viera (Nandyala)

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Camisas O Meu Lugar

A camisa "O meu lugar"
A camisa “O meu lugar”

A marca de camisas Poeme-se realizou um desejo de muitos leitores da antologia “O meu lugar” e a capa do livro virou estampa.

A Poeme-se é conhecida por trabalhar com produtos literários de alta qualidade e que prezam pela diversidade. “A Poeme-se, empresa-verso que nasceu no subúrbio do Rio, tem uma ligação grande com o território e valoriza muito a dimensão simbólica e afetiva desenvolvidas nesses espaços. Exatamente por isso faz sentido uma parceria tão especial como essa”, conta Gledson Vinícius, fundador da marca, sobre a parceria com a mórula.

Gledson e Leionardo, os proprietários da Poeme-se
Gledson e Leonardo, os proprietários da Poeme-se

O Lançamento da coleção

Para o lançamento da coleção, além da camisa com a capa do livro, é possível adquirir camisetas de seis bairros presentes na antologia: Madureira, Realengo, Copacabana, Lapa, Vila Isabel e Tijuca.

A Poeme-se ainda lançou uma promoção, basta fotografar o lugar que você considera como seu e especial e marcar a hashtag #OMeuLugar para concorrer ao sorteio de algumas camisas. Mais informação aqui.

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PTSC #24

Foto: Rodrigo Macedo
Foto: Rodrigo Macedo

Sr. ou Sra. Leonor? Como? Leonora? É Leonor e é senhora, mas nem tão senhora, embora tenha um filho de 15 anos. É que foi mãe cedo, aos 19 anos. E além do Lucas – seu filho – essa gestação gerou mais um rebento, o livro ENEOTIL: mãe é pra quem a gente pode contar tudo, mas não conta nada. Com muito humor e afeto, ela conta que ser mãe é uma briga constante entre emoção e razão, a vontade egoísta de não deixá-lo ir e a lembrança da vida que você queria ter quando tinha a idade dele.

Namorando a Mórula há um tempinho, lança o livro agora em março pela editora. Tem ainda uma promoção pra quem não puder ir ao lançamento: comprando o livro pelo site da editora até dia 1º de março recebe o livro autografado em casa com frete grátis.

Com vocês, Leonor Macedo, a @subversiva, corintiana, mãe do Lucas e jornalista, nosso ser complexo #24

_O subtítulo do seu livro é “mãe é pra quem a gente pode contar tudo mas não conta nada”. Se soubesse mais da vida do Lucas você lançaria o quê, uma enciclopédia?

Acho que toda mãe poderia lançar uma enciclopédia do próprio filho, se a gente resolvesse abrir a boca (também sou filha que não partilha tudo com a própria mãe)!

Eu-Receberia-as-Piores-Noticias-dos-Seus-Lindos-Labios

UM LIVRO

“Poucas vezes me senti tão confortável no mundo. E, no entanto, sofria, por antecipação, o grande vazio que seria o resta da minha existência sem ela.

O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Marçal Aquino
Companhia das Letras, 2005

_Julio Bernardo [no texto apresentando seu livro] fala que você transforma maternidade em arte, assim como Sócrates dava passes de calcanhar. E no futebol, dá pra se comparar ao Doutor?

Talvez só no sonho de ver um futebol democrático e usado como instrumento transformador. Mas na habilidade para o futebol, minha nossa senhora. Eu até me arrisco e não jogo de todo mal, mas jamais me compararia ao meu grande ídolo corinthiano. Dentro e fora do campo.

_Você costuma dizer que tem nome de velha. O que seus pais falam sobre isso?

Eu transformei isso em uma piada, adoro meu nome. Quando era pequenina, eu sofria, queria um nome comum. Não me conformava em ter sido batizada Leonor, lembro que queria chamar Ana. Mas meu nome é uma homenagem a minha avó que não conheci e que tenho grandes afinidades. Meus pais sempre me contaram isso até eu aprender que era um nome quase exclusivo, praticamente só meu. Eles sabem que eu brinco com isso, então levam na brincadeira também.

_Um churrasco com cerveja gelada (sem TV) ou um jogo do Corinthians no estádio (sem cerveja)?

Se for um jogo do Corinthians no Pacaembu, não importa a falta de cerveja, o calor, ou a chuva. Não troco por nada. Agora, nessas novas arenas e frias, está difícil não preferir um churrasco com cerveja gelada (e o jogo do Corinthians no radinho).

_Diga aí um jogo do Corinthians inesquecível. E um “esquecível”. 

Posso viver mil anos e nunca vou esquecer da final da Libertadores na Bombonera, em 2012. A primeira vez que pisei no estádio do Boca foi em um jogo deles, em uma viagem turística para Buenos Aires. Foi em 2007 e pensei que queria muito ver um jogo do Corinthians lá. Calhou de ser uma final de Libertadores, a nossa primeira, a invicta. E eu fui. Faltou só o Lucas do meu lado.

E esquecível? Quando o Corinthians foi eliminado pelo Palmeiras na Libertadores de 1999. Não gosto nem de lembrar.

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Lançamento do ENEAOTIL em São Paulo

Eneaotil_ConviteLancamento_SPNo próximo dia 9 de março, uma quinta-feira, Leonor Macedo estará na Livraria da Vila (Fradique Coutinho) em São Paulo, autografando seu livro ENEAOTIL: mãe é pra quem a gente pode contar tudo, mas não conta nada. O livro reúne textos publicados no blog ENEAOTIL e outros inéditos sobre a vida de uma mãe solo – e ainda por cima aos 19 anos. Apesar das dificuldades, Leonor Macedo não perdeu o bom humor. Como ela lembra, começou a escrever sobre seu filho, o Lucas, quando ele tinha menos de dois anos e ela pouco mais de 20. “Estava descobrindo o mundo junto com ele. Jovem, mãe solteira, saindo das minhas próprias fraldas e trocando as fraldas de alguém”. Essa falta de experiência consegue nos fazer rir e chorar às vezes num mesmo texto. Como aponta Renata Corrêa no prefácio, este livro é um “não manual, cheio de humor, afeto, acolhimento. Um abraço gostoso de vai ficar tudo bem”.

Escrevia, imprimia e guardava em casa. Depois decidiu publicar um blog – o ENEAOTIL – com os relatos e foi quando percebeu que não estava só. Ao compartilhar suas histórias ajudava outras mulheres como ela. Com um texto leve, Leonor, corintiana roxa, conta as aventuras (suas e do Lucas) com um olhar de mãe preocupada, com medo, mas principalmente com muito amor pela sua cria. Ou como escreve Julio Bernardo na orelha, Leonor “transforma maternidade em arte, de maneira tão única quanto Doutor Sócrates dava seus inesquecíveis passes de calcanhar”.

Lucas, hoje com 15 anos, também participa do livro para além do personagem. É autor do desenho de capa, feito quando tinha três anos, e assina a quarta capa, onde diz que não se sentia envergonhado com a exposição de suas façanhas e que “o livro não é feito só das histórias. Ele é feito de muito amor e carinho que compartilhamos um pelo outro, além de muita camaradagem”.

Este é o livro de “uma mulher que jogou fora o roteiro e escolheu a si mesma como modelo”, lembra Renata no prefácio. E se a ideia original era um dia juntar todas as histórias que escreveu e entregar para o Lucas no seu aniversário de 21 anos, o presente chega com alguma antecedência.

_Sobre a autora

Leonor Macedo é mãe do Lucas e corintiana em tempo integral. Nas horas vagas é jornalista, roteirista e mantém o site Vila Pompeia, sobre o bairro onde vive. Como tem uma péssima memória, criou o blog ENEAOTIL contando suas peripécias com Lucas porque tinha medo de esquecer e não saber contar para ele sua própria história.

_Lançamento

DIA: 9 de março (quinta-feira)
HORÁRIO: 18:30h
LOCAL: Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Vila Madalena – São Paulo-SP

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Coração fora do corpo

Um dia teu filho é pequeno e nem alcança a maçaneta, muito menos o botão do 5º andar no elevador. Ele fica na ponta dos pés, ele se esforça, ele tenta, mas não vai a lugar algum sem você. No outro dia ele já faz o bigode, dá um tapa na tua bunda e diz que está saindo com os amigos.
Tua vontade é dizer ENE-A-O-TIL. Não, não e não. Na-na-ni-na-não. Que história é essa de sair sozinho? Quantos anos você acha que tem? Trinta?
Mas você sorri, diz que tudo bem, pede para ele dar notícias e não dar mais tapa na sua bunda. Implora para ele dar notícias, na verdade. E quando ele abre a porta, aperta o botão do elevador e cumprimenta os amigos na rua com aqueles soquinhos idiotas (você está vendo tudo da janela), só te resta torcer para ele voltar logo.

***

Quando eu tinha lá meus 12 anos, eu já ia sozinha para a escola, já andava de ônibus pela cidade, já ficava até tarde brincando na rua ou conversando com meus amigos na calçada. Já ia à padaria, ao shopping e ao cinema sozinha. Quando eu tinha 12 anos, minha mãe me liberou para viajar com a família de uma amiga, de carro, pelo interior do Paraná.
E eu queria mais! Aos 12 anos, eu já pedia para ficar até mais tarde nas festinhas. Já achava que meus pais não precisavam mais me buscar nos lugares (olha o mico!) e já fazia planos para ir a shows de rock do outro lado da cidade.
Não pensava em corações apertados e unhas roídas de preocupação, só pensava em ser cada dia mais livre. Crescer significava liberdade (só anos depois eu percebi que crescer significava contas para pagar).
Também não pensava em ser mãe, mas lembro que meus primeiros pensamentos em relação a isso foram de que eu daria toda a liberdade do mundo aos meus filhos.
– Eles vão poder ficar até tarde nas festinhas!
– Eles vão poder ir a shows de rock sozinhos com 7 anos!
– Eles vão poder voltar pra casa sozinhos de madrugada!
– Eles vão poder viajar pela América do Sul aos 5 anos, e sozinhos, se eles quiserem!
Aí eu pari.

***

Veja bem, não sou uma mãe neurótica. Meu filho não é proibido de ir aos lugares sozinho e aos 12 vai poder pegar ônibus para ir à escola e ficar até mais tarde nas festinhas tentando dar o primeiro beijo. Mas não é tão tranquilo passar por esse momento de deixá-lo ir.
Quando ele foi sozinho pela primeira vez ao mercado, no ano passado, fiquei com aquela sensação de que o André Marques* tinha sentado em cima do meu peito e acho que só consegui respirar quando ele voltou. Dia desses nós estávamos chegando da escola e ele me perguntou:
– Aos 15, vou poder chegar em casa umas 2h, 3h da manhã, né?
Me imaginei completamente careca, cheia de olheiras e alcoólatra. Respirei fundo e disse:
– Vamos ver…
Ser mãe é isso mesmo: é uma briga constante entre emoção e razão, a vontade egoísta de não deixá-lo ir e a lembrança da vida que você queria ter quando tinha a idade dele. Então, provavelmente, eu deixe e finja que estou dormindo (depois de tomar umas e outras) quando ele chegar às 2h (às 3h, nem pensar!).

*antes da cirurgia bariátrica.

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Nossos e-books estão disponíveis na Amazon, confira!

“O novo carioca”, “Pedrinhas miudinhas” e “Perca amigos, pergunte-me como” são alguns dos títulos de nossa editora disponíveis em versão eBook na Amazon.com.br. Além destes, é possível adquirir por apenas R$1,99 os livros digitais que integram a coleção “Pra ler em pé”.
“O meu lugar” e “SMH 2016: Removals in the Olympic city”, nossa versão em inglês do livro “SMH 2016: Remoções na Cidade olímplica” estão disponíveis gratuitamente para os assinantes do pacote Kindle Unlimited. Se esse for seu caso, não deixe fazer o download. Cópias físicas podem ser adquiridas no próprio site da Amazon ou em nossa loja.

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Mórula lança coleção com livros de Aldir Blanc

No ano em que Aldir Blanc, um dos principais letristas da música brasileira, completa 70 anos, a Mórula presta sua homenagem levando ao público um apanhado de sua obra em prosa. A coleção Aldir 70 reúne novas edições de livros já clássicos do escritor e duas obras inéditas.

Uma nova edição de “Rua dos Artistas e arredores” (lançado em 1978 pela Codecri) e o inédito “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” abrem a coleção. Completam a série uma nova edição de “Porta de Tinturaria” (Codecri, 1981), uma edição ampliada de “Vila Isabel, inventário da infância” (Relume Dumará, 2000) e um livro com textos publicados em jornais e revistas nos últimos 10 anos.

 

 

 

Capa da edição da Codecri do livro "Rua dos Artistas e arredores"
Capa da edição da Codecri do livro “Rua dos Artistas e arredores”

 

Estudo de capa para o livro "O gabinete do Doutor Blanc"
Estudo de capa para o livro “O gabinete do Doutor Blanc”

“Rua do Artistas e arredores” reúne textos publicados no semanário O Pasquim a partir da primeira contribuição de Aldir, no Natal de 1975, com a crônica Fimose de Natal. Selecionados e organizados pelo próprio autor, contam histórias de personagens que habitaram sua Vila Isabel, precisamente a Rua dos Artistas, onde viveu até os 11 anos. A nova edição conta com quarta capa escrita por Jaguar e uma cronologia detalhada da vida do autor.

Já “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” traz textos inéditos em livro e revela um lado menos conhecido do autor: sua paixão por jazz e livros policiais. Retratados em crônicas (ou “improvisos”), foram publicados originalmente na extinta revista virtual Notícia e Opinião, o No Ponto.  Editor de cultura da revista à época, Paulo Roberto Pires abre o livro com um ensaio sobre a produção dos textos que recebia e levanta a dúvida: “mas, afinal, o que publicávamos semanalmente? Resenha certamente não era. Crônica? Um pouco, às vezes. Muito sofisticados para serem rotulados ‘conversas’, demasiado informais para ganharem a etiqueta de ‘ensaios’, esses textos são mesmo improvisos”. Luis Fernando Verissimo assina a quarta capa do livro e resume a relação do escritor com o gênero musical: “Aldir não é apenas um ouvinte de jazz. É um erudito na matéria, embora disfarce sua erudição com a leveza e a criatividade que se espera de qualquer texto seu, musicado ou não”.

Para deixar a edição ainda mais caprichada, as capas são ilustradas por Allan Sieber. Sobre essa empreitada e o autor, é sintético: “Aldir Blanc é um gênio recluso. Eu sou um idiota recluso. Nos encontramos na reclusão. Uma honra fazer uma capa para um mito”.

O lançamento da coleção Aldir 70 será no dia 19 de novembro, às 14h30, no Al-Fárábi (Rua do Rosário, 30), Rio de Janeiro. A pré-venda, no site da Mórula, dos dois primeiros volumes da coleção começa amanhã, dia 10 de novembro.

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O tesouro de Aldir Blanc

Para celebrar o lançamento da coleção Aldir 70, o jornalista e escritor Luis Pimentel nos presenteou com essa crônica inédita sobre Aldir Blanc. Aproveitem!

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Aldir e o tesouro escondido na caverna da infância

Luis Pimentel

Eu vou pro Estácio, mermão! Pensa que é fácil? Né não.
No tempo do lotação já era ruim, hoje então…

O samba foi gravado em 1996, no disco que comemorava os 50 anos do compositor. Quase meio século antes dessa data, ainda no tempo do lotação, o futuro grande cronista das ruas e dos bairros do Rio de Janeiro e poeta consagrado da MPB saboreava a inocência no bom e velho Estácio de Sá. Viveu até os quatro ou cinco anos na Rua Santos Rodrigues, uma transversal (do tempo?) da lendária Maia de Lacerda – onde nasceu, se criou e até hoje (2010) vive o não menos lendário Alceu, que é seu pai e também o Ceceu Rico de suas crônicas. Entre o Estácio, Vila Isabel, a Tijuca e a Muda correm, sempre margeando o Rio Maracanã, as veias de Aldir Blanc.

Há quem não se importe, mas a Zona Norte
É feito cigana, lendo a minha sorte.

Chegando aos cinco ou seis anos de idade, Aldir chegava também à Vila, de mãos dadas com a mãe, Dona Arlete, e com a mãe da mãe, Vovó Noêmia. À frente, indefectível maço de Lincoln num bolso e programa onde lia a sorte dos cavalinhos de corrida, o intrépido Seu Alceu. Tempos depois, o filho tentou esclarecer algumas datas e fatos daqueles dias, para um inventário de infância que escreveu em homenagem ao bairro do Noel Rosa, ouviu do pai a seguinte resposta:

– Como é que, a essa altura do campeonato, você quer que eu me lembre de uma merda dessas?!

Eu vim da Maia Lacerda
E essa merda faz parte de mim.
Taí minha herança, e dela não abro mão…

No bairro poético e boêmio, o menino foi morar na Rua dos Artistas, estava em casa. E numa casa com quintal cheio de árvores frutíferas – pertinho da morada do mestre Benedito Lacerda:

– Da minha casa, eu ouvia a flauta tocada na casa dele – contou, em depoimento ao jornalista Roberto M. Moura, um dos amigos mais queridos e perdidos, como Paulo Emílio Costa Leite, Marco Aurélio Bagra e mais alguns.

O quintal servia para reunir amigos e parentes em torno das panelas e dos pratos, do radinho de pilha contando o jogo do Vasco, então Expresso da Vitória (“Sabará na ponta direita do templo…”), das garrafas, muitas garrafas.

A poesia já morava ali, à sombra das goiabeiras, laranjeiras, bananeiras, mangueiras, dos pés de abiu, sapoti, limões-bravos; a boemia só veio em seguida.

Vim do botequim,
Chamaram por mim
Na manhã…

A infância na Vila, que o poeta descreve como uma febre (“Vila Isabel é a febre de viver, que não passará enquanto eu respirar”) – pelo menos até os 13 ou 14 anos, quando voltou a morar no Estácio – desvenda o tesouro da caverna na obra do compositor. Tá quase tudo lá, vem quase tudo de lá, e nada se perdeu ou foi desperdiçado: o “asmático rondando pelo corredor”, as hemoptises, os palavrões, as brigas e confraternizações em família, o amor desgovernado pedindo cama na rua, os feudos, as frases de efeito, as farsas e o futebol, os funcionários de plantão e os desempregados por opção, dentes estragados, os butecos com as declarações mais sublimes ou os desabafos mais escrotos:

Piada suja, bofetão na cara,
E essa vontade de soltar um barro.

Pensa que Aldir Blanc viveu só de brisa, melodia e poesia? Nada disto. Teve estudo, tudo certinho. Primário na Escola Municipal Barão Homem de Mello, ginásio no tradicionalíssimo Colégio São José, curso superior na Faculdade de Medicina e Cirurgia, com estágio no Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro – como médico, claro. De poeta e de louco, ele tem muito mais do primeiro.

A porcelana e o alabastro na pele que eu vou beijar
O escuro arás do astro na boca que me afogar
Os veios que há no mármore nos seios de Conceição
E desafeto mais paixão e porque sim e porque não.

Tirem suas conclusões.

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PTSC #23

Essa foto jamais poderá ser usada para ofender a imagem do fotografado, atentar contra sua honra e dignidade. Seu uso destina-se a fins jornalísticos, informativos, educativos, artísticos e em campanhas humanitárias. Proibida a utilização sem autorização do autor. Para usa-la, entre em contato com lbaltar@gmail.com. Essa foto está resguardada por direitos autorais. Rio de Janeiro xx/xx/2014.
Luiz Baltar, autorretrato. Foto: cortesia.


Fotógrafo documentarista formado pela Escola de Fotógrafos Populares do Observatório de Favelas e pela Escola de Belas Artes da UFRJ,
Luiz Baltar desde 2009 registra o cotidiano, o processo de remoções forçadas e as ocupações militares em diversas favelas cariocas. Vencedor em 2016 do prêmio de fotografia da Fundação Conrado Wessel com o projeto “Fluxos”, Baltar desenvolve documentações sobre o direito à cidade, realiza trabalhos autorais no campo da fotografia contemporânea e participa do coletivo “Favela em Foco e dos projetos “Tem Morador e “Folia de Imagens. O fotógrafo é também autor das imagens que integram o livro “SMH 2016: Remoções no Rio de Janeiro Olímpico, editado pela Mórula. Com 49 festas de São Jorge comemoradas, além da premiação com o “Fluxos” recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia e Melhor Portfólio do FotoRio 2015.

 

Com vocês nosso 23º ser complexo.

 

1_Como retratar remoções e ocupações militares em favelas respeitando os que mais sofrem com essas ações – os moradores?

É preciso não só ter empatia com os moradores e o território, mas também reconhecimento por quem está lutando para resistir e reinventar maneiras de viver apesar de tantas violações. Comecei fotografando como testemunha de momentos que não teriam visibilidade ou seriam esquecidos se não tivessem câmeras registrando e acabei como apoiador e amigo de pessoas que admiro muito.

UM LIVRO

“O que a arte pode fazer, eventualmente, é reenviar as pessoas para algo melhor, para uma visão mais sagaz e mais larga do mundo. O que a arte pode fazer é, de certa forma, mudar as hierarquias sensíveis do pensamento, dando as mesmas experiências a pessoas diferentes, que vivem em universos sensíveis muito diferentes.”

O Espectador Emancipado
Jacques Rancière
Orfeu Negro, 2010

2_Você fotografa do ônibus o seu trajeto, que no dia a dia se repete. As imagens desse trajeto também se repetem?

As imagens nunca se repetem. A cidade que observo do ônibus se transforma no mesmo ritmo das cenas que passam pela janela. Mesmo assim são poucos os passageiros que percebem a diversidade e riqueza visual da cidade durante a viagem.

A paisagem da Zona Norte é pouco notada, e por isso não representada, apesar de ser vista diariamente por um número enorme de pessoas que circulam por suas vias. Democratizar a cidade passa, também, por disputar sua representação, ressignificar a experiência de quem circula por ela, atribuir importância às narrativas periféricas e salvar do esquecimento uma memória ainda não registrada.

3_O que importa mais, a qualidade da câmera ou o olhar do fotógrafo?

Sempre o olhar. A melhor câmera é aquela que temos na mão e na ausência de uma é através do olhar que vamos construindo nosso repertório de narrativas e imagens.

4_Algumas imagens que produz dão a impressão de que são “fotografias em movimento”. Como é esse processo ou técnica?

Tenho uma formação em gravura anterior à fotografia, pela Escola de Belas Artes (UFRJ), e trago essa bagagem para o meu trabalho autoral. Com a câmera ou com o celular vou captando imagens, às vezes até de forma aleatória, sem me preocupar com enquadramento ou composição.

É no computador, no processo de edição que as imagens vão ganhar forma e sentido. As experimentações visuais vão sendo incorporadas. Junto duas, três ou mais fotos em múltiplos ângulos. Reinvento, reforço, excluo, repito e me aproprio de imprevistos que surgirem durante o processo. Quebra, fragmentação e reconstrução. As imagens capturadas são divididas, achatadas, alongadas e repetidas no formato de longos e sucessivos instantâneos. É um processo que costuma ser chamado de fotografia expandida. Procuro uma linguagem próxima da gravura com estética de processos artesanais como o pinhole.

5_No tempo livre o que um fotógrafo faz, além de fotografar?

Vê o trabalho de outros fotógrafos, lê sobre fotografia, fala de fotografia, pensa e sonha com fotografias o tempo todo.

 

 

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Confira a exposição Quarup

A mórula desenvolveu, montou e fez o material de divulgação da exposição Quarup, de Antônio Callado. A exposição ficará na Galeria Arte e Literatura, da Biblioteca Estação Leitura, localizada na estação Central do Metrô Rio, de 26 de julho a 26 de setembro.

Quarup – obra prima de Antônio Callado e marco da literatura brasileira – se manteve atual mesmo após cinquenta e um anos de seu lançamento. A exposição da obra, que retrata o preconceito e o descaso contra os indígenas e sua dizimação em em nome de interesses questionáveis, serve para trazer à tona a discussão sobre a realidade vivida pelos indígenas nos dias atuais e também como homenagem ao centenário de Antônio Callado, romancista, jornalista, biógrafo e teatrólogo.

Durante sua permanência, o público visitante poderá assistir e participar de atividades coordenadas do Projeto Vivências Lúdico-Literárias, Oficinas de Arte-Educação para crianças e jovens e também voltadas para instituições educacionais e sociais.

Abaixo, algumas fotos da mostra:

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Batendo em ponta de faca

allan&jouralboPor Allan Sieber*

Aos 18 anos, em 1948, Jouralbo Sieber fez sua primeira e –  até 21 de junho de 2016 – única exposição. Saudado como um jovem talento da pintura gaúcha, o sujeito que fez o cartaz do evento não teve dúvida e cravou em letras garrafais: JURALBO SIEBER.
Sim, não é fácil se chamar Jouralbo. Ou ser Jouralbo.
De temperamento irascível e fazendo sempre o que bem entendeu, Jouralbo fez parte da gênese da propaganda gaúcha, começando a trabalhar num tempo que isso quase se resumia a neons na rua. E se chamava “reclame”, não propaganda. Começou como desenhista aprendiz na mítica Editora do Globo, trabalhando sob a tutela de Ernst Zeuner e convivendo com feras como João Fahrion, Mottini e Kuver, só para citar alguns. Depois passou por diversas agências, ora como diretor de arte, ora como fotógrafo, sem criar vínculos com nenhuma. Uma espécie de selvagem que só fazia o que queria e com frequência fazia exatamente o oposto do que pediam, por conta de sua índole inquieta.
Esse período de “formação” nos anos 1940 e as décadas seguintes foram quadrinizados por ele mesmo, com roteiros feitos por mim baseados em horas de entrevista com Jouralbo e compilados no “Ninguém me convidou” (reeditado em 2013 pela Mórula).Leia mais

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Pra ler em pé

Eis que chegamos à última edição da coleção Pra ler em pé. Este é o sétimo texto e com ele fechamos 4 meses de coleção.

Os downloads dos livros e os emails dos leitores nos deixaram muito felizes. A mórula só tem a celebrar o sucesso da coleção.

Para finalizar em grande estilo, uma crônica de José de Alencar, parte dos textos reunidos no livro Ao correr da pena. É só baixar e ler gratuitamente no tablet, no celular ou no computador.

Boa leitura!

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PTSC #01 :: Renato Cafuzo

Foto: Luke Garcia
Foto: Luke Garcia

Não, raro leitor, a mórula não está lançando seu partido político. Este é o primeiro post de uma nova sessão do blog: Perguntas Triviais para Seres Complexos – PTSC.

É entrevista, mas não é só entrevista. É também literatura e ironia, quinzenalmente, com um novo ser complexo.

Quem inaugura a sessão é Renato Cafuzo, ilustrador, designer, índio, caboclo, criolo, como diz a música. É só olhar a foto para ver que não estamos exagerando.

Renato é ilustrador oficioso da mórula em diversos trabalhos. Já fez conosco a revista Democracia Viva e alguns livros. É também parceiro na criação dos marcadores literários.O primeiro deles já saiu com desenho do Cafuzo e texto do barbudo do Cosme Velho.

Sem maiores delongas, Cafuzo em 5 perguntas e um livro:

UM LIVRO
“O conceito de jogo enquanto tal é de ordem mais elevada do que o de seriedade. Porque a seriedade procura excluir o jogo, ao passo que o jogo pode muito bem incluir a seriedade.”

Homo Ludens
Johan Huizinga
Editora Pespectiva, 2000

_Você é ilustrador e designer. Como se deu isso? Você estudou? Vive disso hoje?
Desenho desde criança e nunca “funcionei” direito pra coisas que não gostava, cresci ouvindo que desenhar não dava dinheiro a não ser que eu fosse arquiteto e dessa ideia eu não gostava. Quando vi a oportunidade de fazer design gráfico fiquei empolgado porque achava que era o mais próximo do que eu gostava de fazer.

Estudei design gráfico no Senai e trabalhava pra pagar o curso, dei a sorte de já começar estagiando na área, então era estudo teórico de um lado e prática de outro. Os estudos em design também serviram pra evoluir na ilustração e, mais tarde, fiz (e ainda faço) alguns cursos livres mais específicos.

Hoje trabalho com os dois, mas o que me sustenta mesmo é o design, isso me permite ser mais livre nas escolhas que faço sobre ilustração.

_Você mora na Maré. Há quem ache a Maré um lugar “perigoso”. Você acha?
Não mais que o restante do Rio. Um professor meu sempre fala sobre a diferença do perigo e a sensação de perigo. Essa segunda se dá por outros fatores que não envolvem a segurança em si, mídia, falas de quem nunca botou o pé aqui, até o contexto histórico de como a favela é vista até por ela mesma. Mas acho que ainda tem muita coisa pra acontecer aqui e isso deve mudar de alguma forma.

_O que responder para o cliente que não quer pagar e manda o clássico: “vai ser uma boa divulgação para o seu trabalho”?
De qualquer forma meu trabalho vai ser divulgado, ele é feito pra isso, ilustrar uma veiculação. Então isso não serve de contrapartida pra um não-pagamento. Existem milhões de outros motivos que me fariam até gastar dinheiro pra concluir um desenho, mas não esse.

_Para quem você jamais faria uma ilustração? Por quê?
Pra muita gente, mas não tenho interesse nenhum em fazer pra campanhas políticas. Acho que o (meu) desenho, apesar de buscar a figura humana, tem uma carga muito lúdica e isso fala de emoções, afeta pessoas.

Não consigo confiar num partido a ponto de servir de voz pra isso e pensar que o meu trabalho, que é simbólico, moveu alguém a acreditar em algo tão sério e que eu não tenho certeza se é verdade.

_É melhor um passarinho na mão ou dois voando?
Gosto de passarinhos, se eles também gostarem de mim, virão cantar na minha janela.

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