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Caboclo da Vila

Com a proximidade dos 80 anos da morte de Noel Rosa, a Mórula homenageia o sambista com o lançamento de “Conversas de Botequim“, reunião de 20 contos inspirados nos títulos de suas canções, escritos por 20 autores de diversas partes do Brasil. O texto abaixo, sobre o compositor, é de autoria de Luiz Antônio Simas e integra o livro “Pedrinhas Miudinhas“.


Noel Rosa é um dos inventores do Brasil, gênio da raça. Deveria ser ensinado nas escolas, cantado nas universidades, bebido nos botequins, saudado nas esquinas e reverenciado nos terreiros.

Noel Rosa é Exu e Oxalá ao mesmo tempo – homem da rua, dono do corpo, malandro maneiro, azougue de céu e terra, civilizador afoito e velho sábio. Feito Obatalá bebeu o vinho de palma, dormiu na sombra da palmeira, largou a medicina como se larga a tarefa de Olodumare, zombou da sorte, não criou o mundo mas moldou no verso – ritmado em samba – o homem.

Noel Rosa é tapa na cara do preconceito e prova evidente de que o maior elemento civilizador do Brasil é o samba. Não pensou em remover favela – subiu o morro, aprendeu, ensinou, bateu, levou e inventou a vida entre o pandeiro e a viola. Branco azedo entre os pretos, feito camisa do Botafogo.

Noel Rosa é conversa de botequim, futebol no rádio de pilha, conta pendurada, caldo verde pra curar ressaca, conversa fiada, sacanagem no portão, punheta de garoto, pêra uva maçã salada mista, selo carniça nova, pipa no céu, bola ou búlica, vida pela sete, com tabela na caçapa do meio. Brasil que gosta do Brasil.

Noel Rosa é festa da Penha, novena, quermesse, tambor de mina, sessão de mesa, doce de Cosme, baile nos infernos, flor e navalha, afago e pernada, gol de letra e gol de mão, pomba da paz e galo de rinha, Estácio, Tijuca, Vila – o Brasil que sabe, e Morengueira confirma, que em casa de malandro o vagabundo não pede emprego.

Noel Rosa viveu no tempo em que do morro da Mangueira se enxergava a Vila Isabel. Hoje, entre o Buraco Quente e o Boulevard, existe o prédio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro pra esculhambar a vista – e não se ensina o poeta, e não se canta o poeta na universidade: Pior pra ela.

Noel Rosa nunca morreu; encantou-se em Vila Isabel aos vinte e seis anos, feito Mestre da Jurema, Zé Pilintra, caboclo de pena, boiadeiro de laço, erê de cachoeira, bugre do mato, malandro da encruza e exu catiço.

Noel Rosa é da família dos encantados que moram nas esquinas, campos de várzea e botecos vagabundos, e baixam quando a noite é grande e a cachaça é farta: Mané Garrincha, Aleijadinho, Bispo do Rosário, João da Baiana, Cartola, Mãe Senhora, Geraldo Assoviador, Villa Lobos, Bimba, Pastinha, Camafeu de Oxóssi e Lima Barreto são da mesma guma de ajuremados – os caboclos nossos, brasileiros.

Noel Rosa é.

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Lançamento de ‘Vozes a favor do golpe!’

Como o discurso anticomunista foi reverberado no Brasil no pré-golpe de 1964 é o que o novo livro de Pâmella Passos procura demonstrar. A partir da análise de materiais produzidos pelo Instituto de Pesquisa de Estudos Sociais (o Ipês), a autora mostra como essa propaganda colaborou para a produção e reprodução de um imaginário anticomunista no país, capaz de ser um dos pilares de sustentação do golpe civil-militar de 1964.

Vozes a favor do golpe! O discurso anticomunista do Ipês como materialidade de um projeto de classe está disponível para download gratuito no site da Mórula.  O livro é resultado da pesquisa de mestrado realizada pela autora no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) entre os anos de 2006 e 2008. O período pesquisado vai da fundação do Instituto, em 1961, até o golpe de 1964, momento em que houve no Brasil um acirramento das polarizações ideológicas. Como escreve a autora, “nesse enquadramento temporal, pretendemos investigar as relações de poder relativas ao tema, buscando discutir as crenças e as representações expressas no material de propaganda produzido pelo Ipês, como parte da luta ideológica que então era travada”.

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Capa do livro disponível para download gratuito

BAIXE O LIVRO GRATUITAMENTE

Adriana Facina aponta que a pesquisa nos dá mostra da competência da elite brasileira em forjar um projeto de dominação. “A preparação do golpe de 1964 precisou da propagação do medo e de uma propaganda que associava o governo João Goulart à corrupção (inclusive moral) e à ameaça comunista. No discurso foi construída a materialidade que as armas sacramentaram. Igreja Católica, mídia hegemônica, empresários, latifundiários, intelectuais organizaram o caminho por onde os tanques triunfaram”, escreve no prefácio da obra.

A professora Lená Medeiros de Menezes, que orientou a pesquisa e assina a apresentação, relata que a obra trata dos caminhos seguidos pelo país no contexto da Guerra Fria, “no qual os comunistas tornaram-se inimigos  declarados e o ‘perigo comunista’ motivação para vigilância, controle e repressão sobre muitos brasileiros”. A importância deste livro, para ela, está principalmente porque “permite uma melhor compreensão de um tempo de conturbações, no qual o deslocamento da Guerra Fria para a América Latina (…) fez ressurgir um agressivo discurso anticomunista e contrarrevolucionário”.

_Sobre a autora

Pâmella Passos é professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde também concluiu a graduação em História. Foi uma das organizadoras do livro Política Cultural com as periferias: práticas e indagações de uma problemática contemporânea (2013).

BAIXE O LIVRO GRATUITAMENTE

 

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PTSC #26

Crédito: Maria Buzanovsky
Crédito: Maria Buzanovsky

Pesquisadora e mãe da Cecília, Pâmella Passos também não é de perder um baile funk. Professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Pâmella lança seu novo livro: “Vozes a favor do golpe! O discurso anticomunista do Ipês como materialidade de um projeto de classe”, que discute o papel do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais na legitimação do golpe de 1964 no Brasil. Na entrevista ela fala do livro e de paralelos possíveis com a realidade atual, funk e da importância de uma educação crítica dentro e fora das escolas para combater o machismo cotidiano. Com vocês nosso ser complexo 26.

O livro está disponível para download gratuito

As peculiaridades dos ingleses e outros artigos

UM LIVRO

“…as classes não existem como entidades separadas que olham ao redor, acham um inimigo de classe e partem para a batalha. Ao contrário, para mim, as pessoas se vêem numa sociedade estruturada de um certo modo (por meio de relações de produção fundamentalmente), suportam a exploração (ou buscam manter o poder sobre os explorados), identificam os nós de interesses antagônicos, debatem-se em torno desses mesmos nós e, no curso de tal processo de luta, descobrem-se a si mesmo como uma classe…”

As peculiaridades dos ingleses e outros artigos
E. P. Thompson
Unicamp, 2001

1_O seu novo livro Vozes a favor do golpe! trata do discurso anticomunista durante a ditadura civil-militar no Brasil. Daria pra traçar alguma semelhança com a realidade política atual?

Com certeza, principalmente quando vemos setores conservadores da sociedade brasileira revisitar a imagem de combate ao comunismo procurando construir a imagem de que estão salvando o país. Nesse movimento reivindicam o nacionalismo, elemento central do anticomunismo no Brasil que foi usado tanto para justificar o golpe de 1937 dado por Getúlio Vargas e que instaurou a Ditadura do Estado Novo como em 1964 para derrubar João Goulart e mergulhar o país nos Anos de Chumbo.

2_O projeto de dominação da elite – que você apresenta em seu livro – a partir do discurso anticomunista do período de ditadura militar no Brasil poderia ter algum paralelo com o discurso midiático hoje?

Sim, pois na conjuntura que antecede ao golpe a elite busca construir sua chegada ao poder não só através das armas, mas também dos discursos. Coerção e consenso vão sendo produzidos para garantir a tomada do poder. Hoje, com a mídia ocupando cada vez mais espaços na política torna-se fundamental para a elite a produção de conteúdos midiáticos que busquem transformar seus interesses de classe em interesses supostamente coletivos.

3_Falando em discursos, o machismo está aí no nosso dia a dia. Como fazer para combatê-lo diariamente?

Com uma educação crítica dentro e fora das escolas. Gênero precisa ser debatido em todos os espaços, para que nosso país saia das taxas absurdas de práticas de violência contra as mulheres.

4_E essa discussão acerca do funk ser ou não cultura, ou de ser uma cultura menor? O que pensa sobre isso?

Funk é Cultura! Pessoas que tem dificuldade com esta afirmação ainda estão presas em uma visão de cultura baseada em gostos e extremamente elitizada. Não há hierarquização cultural, temos práticas culturais, suas experiências e seus registros, quem afirma o contrário disto não compreendeu o conceito de cultura.

5_Professora, ativista, pesquisadora, feminista, funkeira… e mãe da pequena Cecília. Seu dia tem quantas horas?

Meu dia, como o de muitas mulheres, tem infinitas horas de: trabalho, alegrias, estudo, angústia, culpa, amor, diversão e luta por uma sociedade diferente, menos acelerada na qual tudo isso caiba em 24h com 8h de sono. Mas por enquanto não está sendo assim. Hahaha.

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PTSC #25

sambafabatoFanático pela Mocidade e pelo Flamengo, o jornalista e escritor Fábio Fabato é nosso ser complexo número 25. O co-autor de “Pra tudo começar na quinta-feira” explica a origem de seu apelido e de sua paixão pelo carnaval, arrisca um enredo caso fosse carnavalesco e ainda conta o motivo pelo qual não desfila pela Mocidade.

_Qual a história do apelido Fabato?
Fabato é o meu sobrenome advindo da região da Gália Cisalpina, lugar do totêmico Lucio Roscio Fabato, e anexado à Itália há um bom número de anos. Sabe-se, ainda, que um certo sujeito chamado Clodio Fabato assistiu à crucificação de Cristo e relatou o fato numa carta. Tudo isto, pasmem!, é verdade!, exceto o fato de que Fabato compõe meu sobrenome. Ele é mesmo um apelido – de infância – para me diferenciar dos colegas de classe (quando eu nasci, em razão do sucesso do então galã – e magrinho – Fábio Jr., havia mais Fábios que baratas…), formado pelas iniciais dos meus sobrenomes: Bastos e Torres.

_De onde vem essa paixão por carnaval?
De pai e mãe, que desfilavam pela Mocidade quando eu era guri. Achava uma doideira maravilhosa a minha casa ser invadida por índios e outra fantasias, e aquela gente toda partir para “combater” num lugar com pinta de autódromo, finalizado por um monumento em forma de bunda (Apoteose) e transmitido pela TV. Voltavam de lá contando vantagens, ganhavam todo ano. Foi paixão arrebatadora, invasora, definitiva. Deu nesse monstro louco por ziriguidum aqui.

Crônica de uma morte anunciada

UM LIVRO

“No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar se levantou às cinco e meia da manhã para esperar o barco em que chegaria o bispo”

Crônica de uma morte anunciada
Gabriel García Márquez
Record, 1981

_Se o Fabato fosse carnavalesco que enredo ele faria?
Engraçado, ontem tomava um chope com uns amigos e falávamos disso. Eu contei que adoraria uma coisa maluca de fundir a Fafá de Belém com uma proposta de redescobrimento do Brasil na contramão da história, acabando com as injustiças, pregando a igualdade de credos, cores, tudo. Por que a Fafá? Acho um símbolo de Brasil miscigenado, tal qual a Elza Soares, mas é que ela também tem aquele elo com Portugal, que completaria o meu enredo. Seria algo na linha “A rainha Fafá conduz a barca voadora do redescobrimento na contramão da história a partir da pátria outrora descoberta e hoje miscigenada, Brasil”. Terminaria em Portugal, claro. A nau voadora faria o sentido contrário de 1500 e flutuaria ao sabor músicas dela, como a “tempestade nuvem de lágrimas”, no “coração do agreste”, ficaria “p da vida” com a corrupção, diria que seu coração é vermelho, e acabaria na festa bonita, ó pá, aquela do Chico. Caraca! Que piração inclusiva maneira! Vou escrever este troço.

_Você é tão apaixonado por carnaval, por que a gente nunca te vê desfilar pela Mocidade?
Fui campeão em 1996 e desfilei até 2002. Depois, participei de alguns desfiles. Mas quando comecei a comentar por rádio e televisão, achei melhor ficar do lado de fora, contemplando a escola e as outras. Gosto dessa noção do todo de uma apresentação, assistir da raiz às pontas. Mas confesso: em 2017, quando a Mocidade voltou a ser competitiva, esperei a escola passar todinha por mim e… Ah…!, depois corri atrás. Foi bonito demais o seu reencontro com os bons carnavais, e caí dentro como o moleque de outras folias.

_Mocidade ou Flamengo? Qual dos dois define o mapa da vida do Fabato?
Mezzo calabresa, mezzo frango catupiry, 50 a 50, o côncavo e o convexo. O Flamengo me deixa mais triste em derrotas, e a Mocidade me fará o homem mais feliz do mundo caso vença. Diante do jejum de mais de 20 anos, acho que prefiro um título imediato dela. Mas o amor é dividido igualzinho, sem predileções. Pelo menos acho. Pelo menos até a hora do hepta (dele) ou hexa (dela). Aí faço o tira-teima existencial do coração vagabundo neste mundão de meu Deus.

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Leia mulheres

Perguntamos à enorme equipe que trabalha na mórula (4 pessoas) as autoras lidas nos últimos dois anos. A partir disso fizemos uma lista com as recomendações. Não são os melhores livros, nem os mais importantes ou representativos. Esta é apenas uma lista de 10 livros que 4 pessoas bem diferentes, mas que adoram literatura, leram nos últimos meses e gostaram.

Nossa ideia aqui é ser diverso. Porque há livros de mulheres sobre tudo. Mulheres escrevem poemas, biografias, ensaios, romances, não-ficção, contos, livros-reportagem, quadrinhos…  Mulheres escrevem best-sellers e independentes. O que as mulheres não conseguem é publicar em pé de igualdade com os homens.

Se 72% dos livros publicados no Brasil são de homens brancos, imaginamos que hoje, dia 8 de março, um bom presente é se perguntar: “quantos livros escritos por mulheres você leu no último ano”? Aproveita o dia para tirar uma autora da estante!

#NãoDêFlores #LeiaMulheres

 

Tudo ou nada, de Malu Gaspar (Record)

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Flores azuis, de Carol Saavedra (Companhia das Letras)

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Histórias de leves enganos e parecenças, de Conceição Evaristo (Malê)

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O vento que arrasa, de Selva Amada (Cosac Naify)

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A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch (Companhia das Letras)

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Uma autobiografia, de RIta Lee (Globo)

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A amiga genial, de Elena Ferrante (Biblioteca Azul)

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Poemas, de Wislawa Szymborska (Companhia das Letras)

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Entre umas e outras, Julia Wertz (Nemo)

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Só as mulheres sangram, de Lia Viera (Nandyala)

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Camisas O Meu Lugar

A camisa "O meu lugar"
A camisa “O meu lugar”

A marca de camisas Poeme-se realizou um desejo de muitos leitores da antologia “O meu lugar” e a capa do livro virou estampa.

A Poeme-se é conhecida por trabalhar com produtos literários de alta qualidade e que prezam pela diversidade. “A Poeme-se, empresa-verso que nasceu no subúrbio do Rio, tem uma ligação grande com o território e valoriza muito a dimensão simbólica e afetiva desenvolvidas nesses espaços. Exatamente por isso faz sentido uma parceria tão especial como essa”, conta Gledson Vinícius, fundador da marca, sobre a parceria com a mórula.

Gledson e Leionardo, os proprietários da Poeme-se
Gledson e Leonardo, os proprietários da Poeme-se

O Lançamento da coleção

Para o lançamento da coleção, além da camisa com a capa do livro, é possível adquirir camisetas de seis bairros presentes na antologia: Madureira, Realengo, Copacabana, Lapa, Vila Isabel e Tijuca.

A Poeme-se ainda lançou uma promoção, basta fotografar o lugar que você considera como seu e especial e marcar a hashtag #OMeuLugar para concorrer ao sorteio de algumas camisas. Mais informação aqui.

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PTSC #24

Foto: Rodrigo Macedo
Foto: Rodrigo Macedo

Sr. ou Sra. Leonor? Como? Leonora? É Leonor e é senhora, mas nem tão senhora, embora tenha um filho de 15 anos. É que foi mãe cedo, aos 19 anos. E além do Lucas – seu filho – essa gestação gerou mais um rebento, o livro ENEOTIL: mãe é pra quem a gente pode contar tudo, mas não conta nada. Com muito humor e afeto, ela conta que ser mãe é uma briga constante entre emoção e razão, a vontade egoísta de não deixá-lo ir e a lembrança da vida que você queria ter quando tinha a idade dele.

Namorando a Mórula há um tempinho, lança o livro agora em março pela editora. Tem ainda uma promoção pra quem não puder ir ao lançamento: comprando o livro pelo site da editora até dia 1º de março recebe o livro autografado em casa com frete grátis.

Com vocês, Leonor Macedo, a @subversiva, corintiana, mãe do Lucas e jornalista, nosso ser complexo #24

_O subtítulo do seu livro é “mãe é pra quem a gente pode contar tudo mas não conta nada”. Se soubesse mais da vida do Lucas você lançaria o quê, uma enciclopédia?

Acho que toda mãe poderia lançar uma enciclopédia do próprio filho, se a gente resolvesse abrir a boca (também sou filha que não partilha tudo com a própria mãe)!

Eu-Receberia-as-Piores-Noticias-dos-Seus-Lindos-Labios

UM LIVRO

“Poucas vezes me senti tão confortável no mundo. E, no entanto, sofria, por antecipação, o grande vazio que seria o resta da minha existência sem ela.

O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
Marçal Aquino
Companhia das Letras, 2005

_Julio Bernardo [no texto apresentando seu livro] fala que você transforma maternidade em arte, assim como Sócrates dava passes de calcanhar. E no futebol, dá pra se comparar ao Doutor?

Talvez só no sonho de ver um futebol democrático e usado como instrumento transformador. Mas na habilidade para o futebol, minha nossa senhora. Eu até me arrisco e não jogo de todo mal, mas jamais me compararia ao meu grande ídolo corinthiano. Dentro e fora do campo.

_Você costuma dizer que tem nome de velha. O que seus pais falam sobre isso?

Eu transformei isso em uma piada, adoro meu nome. Quando era pequenina, eu sofria, queria um nome comum. Não me conformava em ter sido batizada Leonor, lembro que queria chamar Ana. Mas meu nome é uma homenagem a minha avó que não conheci e que tenho grandes afinidades. Meus pais sempre me contaram isso até eu aprender que era um nome quase exclusivo, praticamente só meu. Eles sabem que eu brinco com isso, então levam na brincadeira também.

_Um churrasco com cerveja gelada (sem TV) ou um jogo do Corinthians no estádio (sem cerveja)?

Se for um jogo do Corinthians no Pacaembu, não importa a falta de cerveja, o calor, ou a chuva. Não troco por nada. Agora, nessas novas arenas e frias, está difícil não preferir um churrasco com cerveja gelada (e o jogo do Corinthians no radinho).

_Diga aí um jogo do Corinthians inesquecível. E um “esquecível”. 

Posso viver mil anos e nunca vou esquecer da final da Libertadores na Bombonera, em 2012. A primeira vez que pisei no estádio do Boca foi em um jogo deles, em uma viagem turística para Buenos Aires. Foi em 2007 e pensei que queria muito ver um jogo do Corinthians lá. Calhou de ser uma final de Libertadores, a nossa primeira, a invicta. E eu fui. Faltou só o Lucas do meu lado.

E esquecível? Quando o Corinthians foi eliminado pelo Palmeiras na Libertadores de 1999. Não gosto nem de lembrar.

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Lançamento do ENEAOTIL em São Paulo

Eneaotil_ConviteLancamento_SPNo próximo dia 9 de março, uma quinta-feira, Leonor Macedo estará na Livraria da Vila (Fradique Coutinho) em São Paulo, autografando seu livro ENEAOTIL: mãe é pra quem a gente pode contar tudo, mas não conta nada. O livro reúne textos publicados no blog ENEAOTIL e outros inéditos sobre a vida de uma mãe solo – e ainda por cima aos 19 anos. Apesar das dificuldades, Leonor Macedo não perdeu o bom humor. Como ela lembra, começou a escrever sobre seu filho, o Lucas, quando ele tinha menos de dois anos e ela pouco mais de 20. “Estava descobrindo o mundo junto com ele. Jovem, mãe solteira, saindo das minhas próprias fraldas e trocando as fraldas de alguém”. Essa falta de experiência consegue nos fazer rir e chorar às vezes num mesmo texto. Como aponta Renata Corrêa no prefácio, este livro é um “não manual, cheio de humor, afeto, acolhimento. Um abraço gostoso de vai ficar tudo bem”.

Escrevia, imprimia e guardava em casa. Depois decidiu publicar um blog – o ENEAOTIL – com os relatos e foi quando percebeu que não estava só. Ao compartilhar suas histórias ajudava outras mulheres como ela. Com um texto leve, Leonor, corintiana roxa, conta as aventuras (suas e do Lucas) com um olhar de mãe preocupada, com medo, mas principalmente com muito amor pela sua cria. Ou como escreve Julio Bernardo na orelha, Leonor “transforma maternidade em arte, de maneira tão única quanto Doutor Sócrates dava seus inesquecíveis passes de calcanhar”.

Lucas, hoje com 15 anos, também participa do livro para além do personagem. É autor do desenho de capa, feito quando tinha três anos, e assina a quarta capa, onde diz que não se sentia envergonhado com a exposição de suas façanhas e que “o livro não é feito só das histórias. Ele é feito de muito amor e carinho que compartilhamos um pelo outro, além de muita camaradagem”.

Este é o livro de “uma mulher que jogou fora o roteiro e escolheu a si mesma como modelo”, lembra Renata no prefácio. E se a ideia original era um dia juntar todas as histórias que escreveu e entregar para o Lucas no seu aniversário de 21 anos, o presente chega com alguma antecedência.

_Sobre a autora

Leonor Macedo é mãe do Lucas e corintiana em tempo integral. Nas horas vagas é jornalista, roteirista e mantém o site Vila Pompeia, sobre o bairro onde vive. Como tem uma péssima memória, criou o blog ENEAOTIL contando suas peripécias com Lucas porque tinha medo de esquecer e não saber contar para ele sua própria história.

_Lançamento

DIA: 9 de março (quinta-feira)
HORÁRIO: 18:30h
LOCAL: Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915
Vila Madalena – São Paulo-SP

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Coração fora do corpo

Um dia teu filho é pequeno e nem alcança a maçaneta, muito menos o botão do 5º andar no elevador. Ele fica na ponta dos pés, ele se esforça, ele tenta, mas não vai a lugar algum sem você. No outro dia ele já faz o bigode, dá um tapa na tua bunda e diz que está saindo com os amigos.
Tua vontade é dizer ENE-A-O-TIL. Não, não e não. Na-na-ni-na-não. Que história é essa de sair sozinho? Quantos anos você acha que tem? Trinta?
Mas você sorri, diz que tudo bem, pede para ele dar notícias e não dar mais tapa na sua bunda. Implora para ele dar notícias, na verdade. E quando ele abre a porta, aperta o botão do elevador e cumprimenta os amigos na rua com aqueles soquinhos idiotas (você está vendo tudo da janela), só te resta torcer para ele voltar logo.

***

Quando eu tinha lá meus 12 anos, eu já ia sozinha para a escola, já andava de ônibus pela cidade, já ficava até tarde brincando na rua ou conversando com meus amigos na calçada. Já ia à padaria, ao shopping e ao cinema sozinha. Quando eu tinha 12 anos, minha mãe me liberou para viajar com a família de uma amiga, de carro, pelo interior do Paraná.
E eu queria mais! Aos 12 anos, eu já pedia para ficar até mais tarde nas festinhas. Já achava que meus pais não precisavam mais me buscar nos lugares (olha o mico!) e já fazia planos para ir a shows de rock do outro lado da cidade.
Não pensava em corações apertados e unhas roídas de preocupação, só pensava em ser cada dia mais livre. Crescer significava liberdade (só anos depois eu percebi que crescer significava contas para pagar).
Também não pensava em ser mãe, mas lembro que meus primeiros pensamentos em relação a isso foram de que eu daria toda a liberdade do mundo aos meus filhos.
– Eles vão poder ficar até tarde nas festinhas!
– Eles vão poder ir a shows de rock sozinhos com 7 anos!
– Eles vão poder voltar pra casa sozinhos de madrugada!
– Eles vão poder viajar pela América do Sul aos 5 anos, e sozinhos, se eles quiserem!
Aí eu pari.

***

Veja bem, não sou uma mãe neurótica. Meu filho não é proibido de ir aos lugares sozinho e aos 12 vai poder pegar ônibus para ir à escola e ficar até mais tarde nas festinhas tentando dar o primeiro beijo. Mas não é tão tranquilo passar por esse momento de deixá-lo ir.
Quando ele foi sozinho pela primeira vez ao mercado, no ano passado, fiquei com aquela sensação de que o André Marques* tinha sentado em cima do meu peito e acho que só consegui respirar quando ele voltou. Dia desses nós estávamos chegando da escola e ele me perguntou:
– Aos 15, vou poder chegar em casa umas 2h, 3h da manhã, né?
Me imaginei completamente careca, cheia de olheiras e alcoólatra. Respirei fundo e disse:
– Vamos ver…
Ser mãe é isso mesmo: é uma briga constante entre emoção e razão, a vontade egoísta de não deixá-lo ir e a lembrança da vida que você queria ter quando tinha a idade dele. Então, provavelmente, eu deixe e finja que estou dormindo (depois de tomar umas e outras) quando ele chegar às 2h (às 3h, nem pensar!).

*antes da cirurgia bariátrica.

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Combo folia: dois livros sobre carnaval por R$60

A Mórula tem uma promoção especial para os apaixonados por Carnaval. Durante a época de folia, o combo “Pra tudo começar na quinta-feira”e “O samba serpenteia com o Escravos da Mauá” sai por apenas R$60.

Sobre os livros

5afeira_CAPA_SitePra tudo começar na quinta-feira

Este é um trabalho com um recorte temático e espacial: ele versa sobre os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro e os seus criadores. A primeira parte aborda a conexão que existe entre os enredos das agremiações e os respectivos contextos históricos em que foram apresentados. A segunda parte apresenta e analisa a biografia profissional e a contribuição dos maiores carnavalescos, criadores de enredos, para o crescimento e transformação das escolas de samba do Rio de Janeiro desde 1960, quando a influência desses personagens passa a ser decisiva (e polêmica) para os rumos da festa.

A autoria é de Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato. Simas tem diversos livros e artigos publicados sobre a cidade do Rio de Janeiro e as culturas do samba e do carnaval, foi jurado do Estandarte de Ouro do jornal O Globo e é colunista do jornal O Dia. Fabato é jornalista e escritor, foi comentarista de carnaval da Rede Bandeirantes de Televisão e da Super Rádio Tupi, e também vice-presidente cultural da Mocidade Independente de Padre Miguel. É também curador da série de livros Família do Carnaval, biografias em crônicas das principais agremiações cariocas.

 

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O samba serpenteia com o Escravos da Mauá

Caroline Couto investiga como o bloco carnavalesco Escravos da Mauá tornou-se um fenômeno que chegou a atrair 20 mil pessoas em seus desfiles e mais de 2 mil nas rodas de samba às sextas-feiras no Largo de São Francisco da Prainha. A autora analisa a relação do bloco e de seus integrantes com a região Portuária do Rio de Janeiro, antes conhecida por sua degradação e história. Seguindo as pistas das pedras pisadas do cais, o Escravos foi crescendo ao invocar o passado da região, reinventando a tradição e reafirmando uma ideia de cidade que passa pelo encontro e afeto. Caroline segue a mesma trilha para, através da história do Escravos, entender o próprio contexto urbano que lhes serve de pano de fundo e força motriz.

A autora Caroline Couto é doutoranda em ciências sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em antropologia pela Université de Montreal (UdeM), Canadá, se interessa por temas que envolvem cultura e política, consumo, performance e emoções. Publicou La culture comme ressource dans le Port de Rio de Janeiro: des groupes de samba et de carnaval au sein d’un processus de réaménagement urbain (Éditions Universitaires Européennes, 2015).



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Que tal assistir a uma aula do Simas na Casa Porto?

A Mórula está com uma nova promoção em fevereiro: na compra de qualquer livro de Luiz Antonio Simas, você concorre à aula “Dos apaches e onças pintadas na Guanabara ao dilema da domesticação pelo consumo”, dia 15/02, na Casa Porto.

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Pedrinhas Miudinhas, O Meu Lugar e Pra tudo começar na quinta-feira são os livros de Simas

 

Sobre a aula do Simas

A aula faz parte da série Canjiras de Momo, que pretende apresentar o Carnaval não apenas como um fuzuê determinado pelo calendário, mas como uma festa onde as relações tensas e intensas entre as diferentes camadas sociais disputam espaços e criam formas de vida. A reflexão será fundamentada na ideia do Carnaval como canjira. A Canjira é um conjunto de danças rituais, realizadas em um grande círculo, nos terreiros angolo-congoleses e nas casas de umbanda e encantaria. A expressão é derivada do umbundo tjila – “dançar”.

A cidade, no Carnaval, vira canjira: um território-terreiro tenso e intenso de falanges diferentes, feito de afeições e confrontos entre batuques, jogos do corpo, beijos, furtos, comidas e cantos. Morte e vida cariocas.

Entrudos, corsos, batalhas de confetes e flores, festa da Penha, rodas de capoeira, blocos de arenga, rodas de pernada, ranchos, cordões, grandes sociedades, bailes de mascarados, escolas de samba, onças do Catumbi e caciques de Ramos dão pistas para se entender como as tensões sociais – disfarçadas ou exacerbadas em festas – bordam as histórias da cidade-terreiro carioca.

Para mais informações sobre a série de aulas “Canjira”, acesse o link disponibilizado pela Casa Porto.

 

 

 

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RESENHA_ O Gabinete do Doutor Blanc

Por Victor Escobar*

Sempre gostei de jazz, mas não me lembro de quando essa relação começou. Tenho uma vaga lembrança do que dizia minha mãe: “jazz é música de restaurante e motel”. Até que faz sentido, a gente escuta enquanto come alguma coisa…

Bom, mas não foi comendo nada, nem ninguém, que o conheci. Pensando no caso, talvez eu possa atribuir esse encontro aos filmes do Woody Allen, onde os grandes nomes do gênero são trilha sonora obrigatória quando o cineasta não cisma com música clássica, ou aos canais de música na tevê a cabo – pensei até em enviar um email agradecendo à SKY. Costumava ouvir quando estava ocioso, pra romper com o silêncio. Aliás, que me perdoem por ter a mesma ousadia que o doutor, mas vejo (ou melhor, ouço) o jazz como aquele flerte com a nova colega de trabalho – linda, diga-se de passagem – que deu certo: no começo, você não acredita e não entende muito bem o que está acontecendo; quando percebe, já está imaginando as férias de final de ano, a casa no campo e os filhos. Depois disso não tem volta. Nunca tem.

Não satisfeitos em terem me apresentado o jazz, aqueles canais mequetrefes, que ouvia diariamente, acabaram me viciando no babado. Chegou uma época em que não importava o que eu estivesse fazendo, quando o som dos trompetes, do sax alto ou do contrabaixo me pegavam, largava tudo para anotar o nome da música, do álbum e do artista.

Depois começava a saga para encontrá-los na internet – mas, vai, não era tão difícil assim em tempos de Google e Wikipedia. Tenho certeza que nisso o Doutor Aldir teve muito mais trabalho do que eu. Pois bem, era só escrever e apertar o enter que – tchan – estava eu em New Orleans no início do século XX.

Foi desse jeito que ouvi pela primeira vez “Kind of Blue”, disco obrigatório e mainstream do gênio Miles Davis, no Youtube, onde as propagandas me interromperam umas seis vezes durante 55 minutos e 24 segundos do disco. Também foi por conta desse casamento entre canal de áudio e internet que comprei meu primeiro CD de jazz, um disco triplo de Duke Ellington, que passei o dia inteiro escutando. Juro: foi mais forte do que amor verdadeiro! Lembro melhor de quando escutei esses discos do que quando dei meu primeiro beijo numa paixão de infância, uma vizinha que todo mundo deu o seu primeiro beijo, óbvio, antes de mim.

Pensava que, em matéria de jazz, eu estava aprendendo a engatinhar e que logo sairia das fraldas e deixaria de feder a leite. Pelo menos era o que achava. Já me dava por satisfeito em estar enturmado com os maiores nomes e os maiores clássicos – mais do que isso é pedir demais. Batizado na matéria, talvez? Talvez, mas não. Escutei o que saía por debaixo da porta do Gabinete do Doutor Aldir e percebi que eu não era nem mórula, nem blástula, nem porra nenhuma. Pra ser benevolente comigo mesmo, quem sabe eu não tivesse sido uma esporrada em vão numa página da Playboy comprada escondida no jornaleiro de esquina? Sim, depois de ler o livro do Aldir, foi assim que enxerguei minha relação com o jazz. Aliás, que negócio mesmo é esse de “Jázz”?

  Parece que foi a arte do improviso que picou o doutor e jazzófilo – que nome bonito! – Blanc. Mas, lendo crônica por crônica, pude perceber que ele não fez muita questão de seguir o charme do jazz para escrever. Diferente dos solos de um sax tenor – mas tão genial quanto – Adir, o ouvinte inteligente, escreveu com propriedade e riqueza de detalhes próprias de um grande conhecedor do assunto, ou melhor, mais do que isso: dignas de quem deve ter sido o psiquiatra de todas essas figuras.

Agora sim faz todo sentido: trancafiado em seu gabinete, Doutor Blanc atendia Nat King Cole, Jonh Coltrane, a quem a intimidade permitia chamar de Trane Train, Charlie Parker, Max Roach, Clifford Brown, Freddie Hubbard, Ella Fitzgerald, Ray Brown, Chet Baker, Dizzy Gillespie, Charles Mingus, Bill Evans, enfim, o time completo. O que ele nunca conseguiu foi fazer Louis Armstrong tocar impunemente.

Começou de levinho, mas na verdade eu não estava lendo. O que estava mesmo era ouvindo o Doutor Blanc tocar com palavras um novo tipo de jazz que, embora não fosse improvisado, também deixava marcas profundas no leitor, invariavelmente ouvinte. Blanc jazz? Pode ser. Melhor deixar a critério do Aldir.

*Victor é advogado, escritor, peladeiro do Paranauê FC e, por sorte, torcedor do Flamengo e da Beija-Flor.

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Nossos e-books estão disponíveis na Amazon, confira!

“O novo carioca”, “Pedrinhas miudinhas” e “Perca amigos, pergunte-me como” são alguns dos títulos de nossa editora disponíveis em versão eBook na Amazon.com.br. Além destes, é possível adquirir por apenas R$1,99 os livros digitais que integram a coleção “Pra ler em pé”.
“O meu lugar” e “SMH 2016: Removals in the Olympic city”, nossa versão em inglês do livro “SMH 2016: Remoções na Cidade olímplica” estão disponíveis gratuitamente para os assinantes do pacote Kindle Unlimited. Se esse for seu caso, não deixe fazer o download. Cópias físicas podem ser adquiridas no próprio site da Amazon ou em nossa loja.

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Testemunhos da Maré ganha versão em inglês

“Maré Testimonies”, a versão em inglês do desdobramento da tese de doutorado de Eliana Sousa Silva, aumenta o potencial do alcance das reflexões da autora sobre violência e segurança pública a partir das práticas dos policiais militares e dos grupos armados na Maré.

Segundo a pesquisadora, por meio da investigação destas práticas foi possível apreender o caráter estruturante do problema da violência, o sofrimento de todos os envolvidos com o fenômeno e os limites presentes nas estratégias vigentes no campo da segurança pública.

O livro adentra as relações de poder nos territórios da cidade do Rio de Janeiro, permitindo que a autora revele aspectos jamais conhecidos do ethos local e possibilitando que o leitor conheça outros matizes da complexa gestão de conflitos em territórios urbanos dominados pela violência e pelas armas.

Eliana Sousa Silva é doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católico do Rio de Janeiro (PUC-Rio), diretora da Divisão de Integração Universidade Comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Redes de Desenvolvimento da Maré. Paraibana, mãe de três filhos, chegou à Nova Holanda, uma das favelas da Maré, aos 7 anos, onde residiu por 28 anos. Envolvida em trabalhos comunitários desde os 13, foi presidente da Associação de Moradores e, desde então, trabalha para elevar os índices de qualidade de vida da favela, em todas as suas dimensões.

A tradução é trabalho de Sofia Soter e está disponível para download gratuitamente.

 

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Promoções de Natal: garanta 10 ou 20% de desconto na nossa loja

Durante o mês de dezembro, a mórula está oferecendo um desconto de 10% para quem usar o cupom “NATAL2016” na compra de qualquer livro no nosso site.

Para quem pensa em adquirir mais de um volume, a oferta é ainda melhor: 20% de desconto em qualquer combinações de livros acima de R$50. Para garantir esse desconto, basta utilizar o cupom “COMBONATAL”.

Algumas sugestões de combos:

– Aldir Blanc: Rua dos Artistas e arredores + O gabinete do doutor Blanc
– Jouralbo Sieber: Ninguém me convidou + O mundo segundo Jouralbo
– Allan Sieber: Perca amigos, pergunte-me como + A vida secreta dos objetos
– Quadrinhos: Algumas mulheres do mundo + Amok – cabeça, tronco e membros + Gente fina
– Crônicas e ensaios: O meu lugar + Pedrinhas miudinhas
– Poesias: Poétnica + 22 devaneios de um poeta à deriva
– Samba: Pra tudo começar na quinta-feira + O samba serpenteia com o Escravos da Mauá
– Rio: SMH 2016: remoções no Rio olímpico + Baía de Guanabara: descaso e resistência
Que tal presentear alguém com um dos livros de nosso catálogo? Clique aqui e confira todos os títulos à disposição. \

O frete é grátis para todo o Brasil.

 

 

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Mórula lança coleção com livros de Aldir Blanc

No ano em que Aldir Blanc, um dos principais letristas da música brasileira, completa 70 anos, a Mórula presta sua homenagem levando ao público um apanhado de sua obra em prosa. A coleção Aldir 70 reúne novas edições de livros já clássicos do escritor e duas obras inéditas.

Uma nova edição de “Rua dos Artistas e arredores” (lançado em 1978 pela Codecri) e o inédito “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” abrem a coleção. Completam a série uma nova edição de “Porta de Tinturaria” (Codecri, 1981), uma edição ampliada de “Vila Isabel, inventário da infância” (Relume Dumará, 2000) e um livro com textos publicados em jornais e revistas nos últimos 10 anos.

 

 

 

Capa da edição da Codecri do livro "Rua dos Artistas e arredores"
Capa da edição da Codecri do livro “Rua dos Artistas e arredores”

 

Estudo de capa para o livro "O gabinete do Doutor Blanc"
Estudo de capa para o livro “O gabinete do Doutor Blanc”

“Rua do Artistas e arredores” reúne textos publicados no semanário O Pasquim a partir da primeira contribuição de Aldir, no Natal de 1975, com a crônica Fimose de Natal. Selecionados e organizados pelo próprio autor, contam histórias de personagens que habitaram sua Vila Isabel, precisamente a Rua dos Artistas, onde viveu até os 11 anos. A nova edição conta com quarta capa escrita por Jaguar e uma cronologia detalhada da vida do autor.

Já “O gabinete do doutor Blanc: sobre jazz, literatura e outros improvisos” traz textos inéditos em livro e revela um lado menos conhecido do autor: sua paixão por jazz e livros policiais. Retratados em crônicas (ou “improvisos”), foram publicados originalmente na extinta revista virtual Notícia e Opinião, o No Ponto.  Editor de cultura da revista à época, Paulo Roberto Pires abre o livro com um ensaio sobre a produção dos textos que recebia e levanta a dúvida: “mas, afinal, o que publicávamos semanalmente? Resenha certamente não era. Crônica? Um pouco, às vezes. Muito sofisticados para serem rotulados ‘conversas’, demasiado informais para ganharem a etiqueta de ‘ensaios’, esses textos são mesmo improvisos”. Luis Fernando Verissimo assina a quarta capa do livro e resume a relação do escritor com o gênero musical: “Aldir não é apenas um ouvinte de jazz. É um erudito na matéria, embora disfarce sua erudição com a leveza e a criatividade que se espera de qualquer texto seu, musicado ou não”.

Para deixar a edição ainda mais caprichada, as capas são ilustradas por Allan Sieber. Sobre essa empreitada e o autor, é sintético: “Aldir Blanc é um gênio recluso. Eu sou um idiota recluso. Nos encontramos na reclusão. Uma honra fazer uma capa para um mito”.

O lançamento da coleção Aldir 70 será no dia 19 de novembro, às 14h30, no Al-Fárábi (Rua do Rosário, 30), Rio de Janeiro. A pré-venda, no site da Mórula, dos dois primeiros volumes da coleção começa amanhã, dia 10 de novembro.

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O tesouro de Aldir Blanc

Para celebrar o lançamento da coleção Aldir 70, o jornalista e escritor Luis Pimentel nos presenteou com essa crônica inédita sobre Aldir Blanc. Aproveitem!

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Aldir e o tesouro escondido na caverna da infância

Luis Pimentel

Eu vou pro Estácio, mermão! Pensa que é fácil? Né não.
No tempo do lotação já era ruim, hoje então…

O samba foi gravado em 1996, no disco que comemorava os 50 anos do compositor. Quase meio século antes dessa data, ainda no tempo do lotação, o futuro grande cronista das ruas e dos bairros do Rio de Janeiro e poeta consagrado da MPB saboreava a inocência no bom e velho Estácio de Sá. Viveu até os quatro ou cinco anos na Rua Santos Rodrigues, uma transversal (do tempo?) da lendária Maia de Lacerda – onde nasceu, se criou e até hoje (2010) vive o não menos lendário Alceu, que é seu pai e também o Ceceu Rico de suas crônicas. Entre o Estácio, Vila Isabel, a Tijuca e a Muda correm, sempre margeando o Rio Maracanã, as veias de Aldir Blanc.

Há quem não se importe, mas a Zona Norte
É feito cigana, lendo a minha sorte.

Chegando aos cinco ou seis anos de idade, Aldir chegava também à Vila, de mãos dadas com a mãe, Dona Arlete, e com a mãe da mãe, Vovó Noêmia. À frente, indefectível maço de Lincoln num bolso e programa onde lia a sorte dos cavalinhos de corrida, o intrépido Seu Alceu. Tempos depois, o filho tentou esclarecer algumas datas e fatos daqueles dias, para um inventário de infância que escreveu em homenagem ao bairro do Noel Rosa, ouviu do pai a seguinte resposta:

– Como é que, a essa altura do campeonato, você quer que eu me lembre de uma merda dessas?!

Eu vim da Maia Lacerda
E essa merda faz parte de mim.
Taí minha herança, e dela não abro mão…

No bairro poético e boêmio, o menino foi morar na Rua dos Artistas, estava em casa. E numa casa com quintal cheio de árvores frutíferas – pertinho da morada do mestre Benedito Lacerda:

– Da minha casa, eu ouvia a flauta tocada na casa dele – contou, em depoimento ao jornalista Roberto M. Moura, um dos amigos mais queridos e perdidos, como Paulo Emílio Costa Leite, Marco Aurélio Bagra e mais alguns.

O quintal servia para reunir amigos e parentes em torno das panelas e dos pratos, do radinho de pilha contando o jogo do Vasco, então Expresso da Vitória (“Sabará na ponta direita do templo…”), das garrafas, muitas garrafas.

A poesia já morava ali, à sombra das goiabeiras, laranjeiras, bananeiras, mangueiras, dos pés de abiu, sapoti, limões-bravos; a boemia só veio em seguida.

Vim do botequim,
Chamaram por mim
Na manhã…

A infância na Vila, que o poeta descreve como uma febre (“Vila Isabel é a febre de viver, que não passará enquanto eu respirar”) – pelo menos até os 13 ou 14 anos, quando voltou a morar no Estácio – desvenda o tesouro da caverna na obra do compositor. Tá quase tudo lá, vem quase tudo de lá, e nada se perdeu ou foi desperdiçado: o “asmático rondando pelo corredor”, as hemoptises, os palavrões, as brigas e confraternizações em família, o amor desgovernado pedindo cama na rua, os feudos, as frases de efeito, as farsas e o futebol, os funcionários de plantão e os desempregados por opção, dentes estragados, os butecos com as declarações mais sublimes ou os desabafos mais escrotos:

Piada suja, bofetão na cara,
E essa vontade de soltar um barro.

Pensa que Aldir Blanc viveu só de brisa, melodia e poesia? Nada disto. Teve estudo, tudo certinho. Primário na Escola Municipal Barão Homem de Mello, ginásio no tradicionalíssimo Colégio São José, curso superior na Faculdade de Medicina e Cirurgia, com estágio no Hospital Psiquiátrico Engenho de Dentro – como médico, claro. De poeta e de louco, ele tem muito mais do primeiro.

A porcelana e o alabastro na pele que eu vou beijar
O escuro arás do astro na boca que me afogar
Os veios que há no mármore nos seios de Conceição
E desafeto mais paixão e porque sim e porque não.

Tirem suas conclusões.

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